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A Reforma Ortográfica e a difícil adaptação
Fonte: Neux Comunicação
Há pouco mais de seis meses em vigor, a Reforma Ortográfica ainda gera muitas dúvidas. Tem gente tirando o acento de tudo:
- Ônibus não tem mais acento, né? Perguntaram para a redatora.
- Claro que tem. Onde iríamos nos sentar...!? Eu, hein!
Bom, brincadeira à parte, o fato é que estamos todos perdidos. Tem ou não tem acento? E o hífen, já era mesmo? Não! Que pena...detesto o hífen... Ah, mas o trema morreu! Bem que poderiam eliminar a crase. Ô coisa chata. Pra que serve mesmo?
Essas indagações já eram esperadas. Quando se está acostumado com uma determinada rotina, é muito difícil se adaptar à mudança.
A boa notícia é que ainda temos um período para dar uma relaxada e escrever das duas formas, antes ou pós reforma, mas a partir de 2010, quando termina o período de adaptação determinado por lei, acaba a moleza e a regra começa a vigorar pra valer. Isso significa que deverá ser cumprida na escrita.
Diante de todas essas dúvidas, indagações, objeções, para facilitar e dar aquela ajuda na hora de redigir um texto, seguem algumas dicas que valem muito! Vamos lá?
Reforma Ortográfica. O que mudou?
Acento agudo: não se usará em apenas alguns casos. São eles:
1 – nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia” que passam a ser escritas da seguinte forma: assembleia, ideia, heroica e jiboia.
2 – nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Assim, as palavras anteriormente grafadas “feiúra” e “baiúca” passam a ser grafadas feiura e baiuca.
3 – nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como “averigúe” (averiguar) e “apazigúe” (apaziguar) passam a ser grafadas averigue e apazigue.
Acento circunflexo: Não se usará mais nos seguintes casos:
1 – nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus derivados. A grafia correta será “creem”, “deem”, “leem” e “veem”.
2 – em palavras terminadas em hiato “oo”, como “enjôo”, “vôo” que se tornam “enjoo” e “voo”.
Acento Diferencial: Não se usará mais para diferenciar:
1 – pára (flexão do verbo parar) de para (preposição);
2 – péla (flexão do verbo pelar) de pela (combinação da preposição com o artigo);
3 – pólo (substantivo) de polo (combinação antiga e popular de por e lo);
4 – pélo (flexão do verbo pelar), pêlo (substantivo) e pelo (combinação da preposição com o artigo);
5 – pêra (substantivo – fruta), péra (substantivo arcaico - pedra) e pera (preposição arcaica).
Atenção:
Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3a pessoa do singular.
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição.
Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).
Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.
É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara.
Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?
Alfabeto: passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”.
Hífen: Não se usará mais nos seguintes casos:
1 – quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra” e “infrassom”.
Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r – ou seja, hiper, inter e super.
2 - quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial” e “autoestrada”.
Trema: não existe mais, portanto, nada de escrever lingüiça, tranqüilo, freqüência MAS, linguiça, tranquilo, frequência. O trema aparecerá apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivada.
Exemplos: Müller, mülleriano.
Por Cleide Pires - cleide@neux.com.br
Fontes de pesquisas: Guia Reforma Ortográfica da Folha Online e Guia Prático da Nova Ortografia da Michaelis.
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